Lesões orais cancerígenas podem ser identificadas em exame clínico e consulta de rotina odontológica

Na consulta de rotina odontológica, o Cirurgião-Dentista é capaz de identificar lesões orais cancerígenas ou que apresentam potencial de malignização. O diagnóstico precoce do câncer de boca acontece por meio de exame clínico minucioso da cavidade oral, contemplando a avaliação dentária, de toda mucosa oral, dos tecidos gengivais, borda lateral de língua, soalho bucal e região de orofaringe, em que o profissional deve se atentar para qualquer alteração da mucosa, como a presença de lesões ulceradas, lesões brancas e vermelhas, que podem ter diversas etiologias como: infecciosas bacterianas, fúngicas ou virais, auto-imunes, traumáticas, reações medicamentosas, e neoplásicas benignas ou malignas.

Nesse contexto, é importante que o Cirurgião-Dentista inclua no cuidado odontológico uma orientação de alerta e prevenção do câncer bucal aos pacientes, focando principalmente na questão do auto-exame da cavidade oral. O trabalho conjunto da categoria tem autonomia para reverter o quadro mundial que classifica o Brasil como o terceiro país com o maior número de ocorrências de câncer de boca. São 15 mil casos por ano, com maior prevalência em homens acima dos 40 anos (dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA), apresentando hábitos deletérios de etilismo crônico e tabagismo.

Para os Conselhos de Odontologia, o vínculo entre o Cirurgião-Dentista e o paciente é decisivo para coleta da anamnese (ouvir atentamente o paciente). Esse bom relacionamento também facilita a identificação de hábitos deletérios que envolvem o etilismo crônico e o tabagismo, ou o uso de medicamentos, drogas ilícitas, hábitos sexuais, por exemplo. Segundo o Sistema Conselhos de Odontologia, por meio da própria queixa relatada pelo paciente sobre dificuldades/ mudanças de mastigação, fonação ou deglutição é possível suspeitar e buscar o diagnóstico de lesões tumorais na cavidade oral.

O diagnóstico do câncer bucal na fase inicial é fundamental para o início do tratamento oncológico precoce, proporcionando aumento das taxas de cura e de sobrevida, menor morbidade aos pacientes. É importante que o Cirurgião-Dentista fique alerta para o câncer bucal, principalmente nos casos em que os pacientes apresentam na cavidade oral:

– Lesões orais que não cicatrizam em um período de 7 a 14 dias

– Lesões ulceradas aftosas que apresentam rápida evolução, que não cicatrizam, e que não apresentam queixas de sintomatologia dolorosa por parte do paciente

– Surgimento de manchas brancas ou vermelhas não removíveis a raspagem na mucosa oral

– Aumento de volume nos maxilares ou na região extra-oral de origem não infecciosa

– Dificuldade para mastigar, deglutir e falar

– Sangramentos na cavidade oral sem causa aparente

– Hálito fétido

– Mobilidade dentária sem doença periodontal associada

– Presença de nódulos ou “caroços” na região submandibular ou no pescoço.

Para lesões orais suspeitas é fundamental a realização da biópsia da lesão, que pode ser feita por um Cirurgião-Dentista clínico geral ou estomatologista, que deve encaminhar o material para análise anatomopatológica para a confirmação do diagnóstico. Caso o profissional tenha dificuldade de realizar a biópsia, o paciente deve ser encaminhado para outro dentista que possa fazer o procedimento.

Lembrando que o tratamento odontológico é essencial antes, durante e após o tratamento oncológico pelas inúmeras alterações bucais advindas do tratamento, em que o cirurgião-dentista irá restabelecer a saúde bucal através da realização dos procedimentos odontológicos, orientações de higiene bucal específicas para cada fase de tratamento, prevenção e tratamento da mucosite oral e de outras possíveis intercorrências, assim como executar acompanhamento odontológico de rotina.

Por Michelle Calazans, Ascom CFO / Com informações dos Cirurgiões-Dentistas Juliana Franco e Luiz Evaristo Volpato.
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