Tabaco: saiba quais são os perigos para a saúde bucal

Dentre todos os malefícios que o hábito de fumar causa à saúde bucal e geral das pessoas, o maior risco é o câncer bucal, que está entre os 10 com maior incidência no país.

O hábito de fumar ou consumir tabaco de outras formas que não sejam carbonizadas pode trazer diversas consequências à saúde bucal e geral. No Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o Sistema Conselhos de Odontologia, composto pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os 27 Conselhos Regionais (CROs) de todo país, alerta para o risco de doenças causadas pelo tabaco, em especial, o câncer de boca, uma das 10 patologias oncológicas mais incidentes no Brasil.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima que, apenas no triênio 2023/2025, sejam diagnosticados 15 mil novos casos de câncer de boca por ano no Brasil, com 72% de prevalência em homens.  Além do câncer bucal, o tabagismo está associado ao aparecimento de diversas outras condições, entre elas as respiratórias e cardiovasculares. Ademais, caso a pessoa já tenha algum quadro clínico grave existente, o tabaco pode potencializá-lo significativamente. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo causa mais de 8 milhões de mortes por ano em todo o globo. Deste total, mais de 7 milhões são referentes aos usuários diretos do tabaco e cerca de 1,2 milhão são de não tabagistas, os chamados de fumantes passivos, ou seja, pessoas que inalam a fumaça de produtos derivados do tabaco, mas não fumam.

O vice-presidente do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Nazareno Ávila, destaca a importância da conscientização da população sobre os malefícios do tabaco. 

“Durante todo o ano, o Conselho Federal de Odontologia e os Conselhos Regionais divulgam informações e esclarecimentos à população sobre os riscos do tabaco e do câncer de boca. O Dia Nacional de Combate ao Fumo é mais uma oportunidade para que os cirurgiões-dentistas brasileiros orientem seus pacientes sobre os prejuízos do cigarro para a saúde bucal. Juntos, podemos levar adiante essa importante mensagem”, destaca o vice-presidente.

O cirurgião-dentista Fábio de Abreu Alves, especialista em Estomatologia e responsável pelo Serviço de Estomatologia do A.C.Camargo Cancer Center localizado em São Paulo (SP), explica que os perigos do fumo estão associados à presença de diversos elementos nocivos à saúde em sua composição.

“O tabaco contém milhares de substâncias químicas prejudiciais à saúde e muitas delas são conhecidas por causar o câncer de boca. Entre as mais perigosas estão a nicotina, que causa dependência e mantém a pessoa presa ao hábito de fumar; o alcatrão, que carrega várias substâncias cancerígenas; e o benzeno que também pode provocar diferentes tipos de câncer”, explica.

O cigarro ainda contém o formol aldeído, substância usada para conservar peças cirúrgicas, e é altamente irritante para os tecidos da boca, assim como o cádmio, metal pesado tóxico que é inalado na fumaça do cigarro. Outro perigo para a saúde bucal são as nitrosaminas (compostos químicos orgânicos, formados pela reação de nitritos com aminas específicas do tabaco), diretamente ligadas ao desenvolvimento de câncer de boca e garganta.

Câncer de boca: importância do diagnóstico precoce

Dentre as doenças que podem ser provocadas pelo tabaco, o câncer de boca é a principal delas. Este pode afetar a mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua, assoalho da boca e garganta.

O Conselho Federal de Odontologia faz um alerta de que o tabaco e o álcool estão entre os principais fatores de risco para o câncer boca, que muitas vezes tem identificação tardia, já com quadro clínico avançado dos pacientes. Desta forma, o CFO esclarece que é de fundamental importância o diagnóstico precoce da doença.

Os pacientes devem, portanto, ficar atentos aos principais sintomas de alerta. São eles:

  • Manchas brancas ou avermelhadas na boca
  • Feridas na cavidade oral que não cicatrizam após 15 dias
  • Dor de garganta persistente
  • Dificuldade ou dor para engolir
  • Alterações na voz ou rouquidão por mais de 15 dias
  • Aparecimento de nódulos no pescoço
  • Perda de peso acentuada

O vice-presidente do CFO, Nazareno Ávila, destaca a importância da Odontologia na identificação precoce dos casos suspeitos. “O cirurgião-dentista consegue identificar lesões e outros sintomas característicos do câncer de orofaringe em fase inicial, fazendo o encaminhamento do paciente para os serviços especializados. O diagnóstico precoce pode significar a diferença entre a vida e a morte. Mas para que ele ocorra, é fundamental que as pessoas realizem visitas periódicas ao cirurgião-dentista ou sempre que identificarem alterações na cavidade oral”.

Demais riscos para a saúde bucal

Além do câncer de boca, o cigarro está associado a diversos outros malefícios para a saúde bucal. Entre eles está a dificuldade de cicatrização, principalmente após cirurgias. “O cigarro libera monóxido de carbono e nicotina, o que diminui a quantidade de oxigênio no sangue e reduz a circulação nos tecidos da boca. Com menos sangue e oxigênio chegando à região, as células não conseguem se recuperar bem. Além disso, as substâncias tóxicas do tabaco aumentam a inflamação e favorecem a presença de bactérias, dificultando a formação de um novo tecido saudável”, esclarece o cirurgião-dentista Fabio Alves.

O especialista em Estomatologia complementa que, por conta disso, a maioria dos fumantes pode ter recuperação mais lenta depois de uma extração dentária, instalação de implantes ou demais cirurgias. “Tabagistas têm maiores risco de complicações no pós-cirúrgico, como dor persistente, infecção, sangramento e até problemas de alvéolo seco, que nós chamamos de alveolite”, ressalta.

O tabaco ainda favorece a inflamação e sangramento da gengiva, assim como a recessão gengival, deixando as raízes dos dentes mais expostas e sensíveis. A depender da gravidade, a retração gengival pode levar até à perda dentária.  O fumo também é um grande vilão quando se trata de mau hálito, pois a fumaça aspirada deposita fragmentos produzidos pela combustão na boca, dentes, pulmões, garganta e nariz. 

“A fumaça do cigarro deixa resíduos com cheiro forte na boca que saem quando a pessoa fala ou respira. Além disso, o tabaco diminui a produção de saliva deixando a boca mais seca, o que facilita a proliferação de bactérias que produzem odor desagradável. As substâncias tóxicas também irritam a gengiva, o que aumenta a chance de doença gengival, doença periodontal e infecções, que são outras causas de mau hálito”, explica Fabio Alves.

Por conta da redução de produção de saliva, que é um protetor natural da boca, o fumante ainda fica sujeito aos riscos de desenvolvimento de infecções orais e de redução da imunidade bucal, favorecendo a proliferação de bactérias e fungos. O tabaco também pode prejudicar o paladar e o olfato, alterando o sabor dos alimentos, reduzindo a sensibilidade da boca e fazendo com que os alimentos tenham gosto menos intenso. 

Prejuízo para a estética dos dentes

Outro fator crucial que atinge os fumantes é a estética dental. Isso ocorre porque os componentes do cigarro, como a nicotina e o alcatrão, se fixam no esmalte e, assim, deixam os dentes com cores amareladas ou acastanhadas. A manchas são difíceis de remover apenas com a escovação comum, sendo que o hábito de fumar pode também favorecer o acúmulo de tártaro e placa bacteriana, agravando negativamente os aspectos dos dentes e gengiva.

“Embora os prejuízos estéticos não tenham consequências para a saúde sistêmica, podem trazer danos importantes para a autoestima do tabagista. O sorriso é fundamental para a qualidade de vida e as relações interpessoais, sendo que, se estiver prejudicado, pode afetar a vida social e produtiva dos pacientes”, destaca o vice-presidente do CFO, Nazareno Ávila.

A Odontologia no combate ao fumo

Os cirurgiões-dentistas possuem papel fundamental no combate ao tabagismo, sendo importante que forneçam informações com alertas sobre os riscos do cigarro e orientem os pacientes a abandonar o hábito de fumar. O estomatologista Fabio Alves destaca que o cirurgião-dentista deve orientar os pacientes tabagistas durante as consultas odontológicas de rotina.

“É importante usar uma linguagem que o paciente compreenda, sem termos muito técnicos. Para isso, o cirurgião-dentista pode mostrar, por meio de imagens de outros casos, quais as consequências do tabaco para a saúde bucal. Muitas vezes, fotos de dentes manchados, gengivas retraídas, câncer de boca e outros problemas decorrentes do cigarro, ajudam o paciente a perceber os efeitos negativos do tabaco”, pontua.

Para finalizar, Fabio Alves ressalta que o cirurgião-dentista pode orientar o paciente sobre estratégias de como parar de fumar e incentivar a busca por programas antitabagistas. “É fundamental reforçar sempre que parar de fumar é o melhor caminho para uma saúde bucal com qualidade e um belo sorriso”, finaliza.