Odontologia Hospitalar celebra dois anos da normativa com avanços da especialidade

Publicada em 25 de janeiro de 2024, a Resolução CFO 262 transformou a habilitação em especialidade. O anúncio foi feito durante o CIOSP daquele ano, representando um avanço para a Odontologia brasileira

Transformada em especialidade há dois anos, a Odontologia Hospitalar obteve diversos avanços nesse período. A validação legal e o reconhecimento da especialidade garantiram maior integração dos cirurgiões-dentistas com as equipes multiprofissionais de saúde, protocolos clínicos mais robustos e a formação específica e capacitação avançada. Além disso, houve um fortalecimento acadêmico e científico da área, resultando em um impacto positivo na saúde sistêmica dos pacientes.
Reunindo um conjunto de ações preventivas, diagnósticas e terapêuticas com foco no tratamento de pacientes em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs), oncologia, em cuidados paliativos e pós-operatório (internados ou não) ou que estejam em assistência domiciliar, a Odontologia Hospitalar atua junto da equipe multiprofissional no controle de infecções orais que podem se agravar para doenças sistêmicas. A especialidade teve papel fundamental no período da pandemia da Covid-19, sendo essencial para o tratamento dos pacientes que estavam internados devido às complicações do coronavírus.
A especialidade foi reconhecida em 25 de janeiro de 2024, por meio da Resolução CFO 262, e anunciada durante a programação da Arena CFO do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo – CIOSP, daquele ano.
O presidente do CFO (em exercício), Romildo Bringel, ressalta que a regulamentação foi um avanço para os atendimentos dos pacientes em ambientes hospitalares. “Após a publicação da resolução, o papel do cirurgião-dentista dentro das equipes hospitalares ganhou ainda mais força, garantindo aos pacientes atendimentos com protocolos mais consistentes”, enfatizou Romildo.
Para destacar a celebração do Dia dos especialistas em Odontologia Hospitalar, o Sistema Conselhos, composto pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) e os 27 Conselhos Regionais (CROs), por meio do programa CFO Esclarece, destaca os avanços da especialidade nesses dois anos.
Avanços da especialidade
O primeiro avanço foi a transferência automática dos cirurgiões-dentistas habilitados em Odontologia Hospitalar a especialistas, com registro oficial direto nos respectivos CROs. O cirurgião-dentista especialista e membro da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP), Keller de Martini, o qual, na época da publicação da resolução era coordenador da Comissão de Odontologia Hospitalar do CFO, ressalta que a publicação da normativa fortaleceu ainda mais os profissionais.
“Com o reconhecimento da especialidade, houve maior validação legal e técnica da atuação odontológica no ambiente hospitalar, o que fortaleceu a profissão como parte integrante das equipes de saúde. A Odontologia Hospitalar está ganhando evidência como fator de saúde integral do paciente, não apenas da boca”, destacou Keller.
Com a consolidação da atuação dos cirurgiões-dentistas dentro das equipes hospitalares, os profissionais ganharam mais espaço formal nos atendimentos às Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), em hospitais públicos e privados, nos serviços de oncologia, cardiologia e nos cuidados paliativos.
A presidente da Câmara Técnica de Odontologia Hospitalar do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP) e coordenadora da Odontologia do Hospital São Paulo, Denise Caluta Abranches, reforça que a normativa aperfeiçoou a integração com as equipes hospitalares. “A resolução promoveu uma melhor coordenação com médicos, enfermeiros e outros profissionais, com protocolos específicos para pacientes críticos ou com múltiplas comorbidades”, frisa.
Protocolos clínicos
Os protocolos clínicos de prevenção de complicações sistêmicas também tiveram um avanço, principalmente impulsionando procedimentos mais consistentes para a higiene oral em pacientes criticamente debilitados, assim como a identificação e manejo de lesões orais que podem complicar quadros sistêmicos. Além da prevenção de infecções como a Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAV), pois a presença do cirurgião-dentista pode reduzir complicações e custos hospitalares.
Formação e capacitação específica
Com a normatização da especialidade, a formação e capacitação específicas tiveram uma formalização. “Antes, muitos cirurgiões-dentistas atuavam em ambiente hospitalar sem formação formal estruturada. Agora temos currículos de pós-graduação e cursos de especialização que estão sendo ampliados. A própria resolução define carga horária teórica e prática. Dessa forma, há maior oferta e valorização de residências e estágios hospitalares, pois a atuação passou a exigir competências mais profundas em fisiopatologia, farmacologia e manejo de pacientes graves, além de biossegurança. Isso melhora a qualidade da assistência e a segurança do paciente”, esclarece Keller.